Vamos Falar Sobre
17 mar 2016 • Por Giu Menezes

7 anos (parte 2)! =)

Eu estava aqui pesquisando para fazer um post para o blog, quando, do nada, me toquei que hoje é dia 17 de março e lembrei que esse dia, há 7 anos, foi a data da minha última quimioterapia! Então agora já são 7 anos fora de tratamento, oba! 🙂

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Sei que em novembro eu postei falando que faziam 7 anos desde que tinha operado a perna e comemorei naquela data, mas agora em março eu comemoro de novo. Mesmo depois da cirurgia, eu tive que seguir com o tratamento de quimioterapia, como forma de prevenção, caso alguma célula maligna tivesse ficado no meu corpo. É um protocolo para o osteossarcoma: dois ciclos de quimioterapia, cirurgia, 4 ciclos de quimioterapia. Então, mesmo com alguns imprevistos durante o tratamento, a parte da quimio foi bem maior depois da operação do que antes – e bem mais delicada também porque se já não bastasse o desgaste natural da medicação, ainda tinha a recuperação do pós operatório mais a fisioterapia.

Meu tratamento foi bem complicado, porque eu tive reação alérgica a um dos quimioterápicos, e ele era um dos mais importantes no protocolo todo. Para ficar mais claro, cada ciclo de quimioterapia era composto da seguinte forma: semana 1 – 2 dias de doxorrubicina (doxo, para os íntimos) e cisplatina e 1 dia de hidratação; semanas 2 e 3 – 1 dia de MTX (metotrexato) e acompanhamento o resto da semana para ver se o medicamento tinha sido expelido do meu corpo. Então, cada ciclo tinha cerca de 3 a 4 semanas, dependendo da reação de cada um.

A doxo e a cisplatina foram os medicamentos que me fizeram perder o cabelo e ficar bem enjoada, além da doxo atacar diretamente o sistema imunológico, então depois de cada vez que eu tomava, era certeza que ia ter inflamação na garganta na semana seguinte, mas era normal. Quando me recuperava, partia para as semanas de MTX que, teoricamente, eram mais tranquilas. Já na primeira vez que tomei (quando digo que tomo, na verdade é sempre via soro, na veia) já me senti estranha, minha garganta fechou e fiquei vermelha. Me deram antialérgico e acompanhamento. A MTX é muito forte nesse protocolo, então, por mais que ela precisasse fazer efeito, também precisava ser eliminada logo do corpo e isso implicava em beber água. MUITA água. Eu bebia cerca de 4,5L por dia, durante 4 dias. Isso varia muito de peso e tamanho, mas sabe quando você não aguenta mais beber água? Então, bebe mais um pouco haha. O normal é que no primeiro exame de controle a taxa dela no meu sangue fosse baixa, mas não foi. Somada com a creatina, que é um indicador de funcionamento dos rins, estava altíssima, constatou-se que eu estava intoxicada e os riscos de dar ruim eram grandes. Poderia atacar meus rins, me dar uma mucosite ou estomatite grave e coisas do tipo. Giu, sendo estranha como é, ficou internada, mas não teve nada, graças a Deus!

Saí da internação e parti para a próxima MTX, tomando antialérgico antes para prevenir, Não tive reação, mas no primeiro exame de controle as taxas da medicação ainda eram altas apesar da creatina não – estava com toxicidade alta, mas não intoxicada, ufa! A partir disso passei a ser uma incógnita para os médicos, mas acharam uma forma de eu conseguir seguir com o tratamento que era mega importante. Quando chegou em março, já o final, a última MTX e o fim da sessões de 4,5L de água por dia (gente, água começa a ter gosto ruim quando você tem que beber tanto assim, sério!), eu tive outra reação alérgica, que me fez internar pela última vez: minha pele estava tão vermelha que eles ficaram com receio de descamar. Mas, nada aconteceu, fui medicada, consegui finalizar todo o tratamento, que era o que mais importava, e saí depois de uma breve internação feliz da vida! 17 de março foi o último dia de quimio mesmo, mas já considero o último dia de tratamento, mesmo que eu tenha ficado no hospital mais alguns dias.

Não foi fácil. Por conta das dores de garganta provocadas pela doxo e pelas aftas provocadas pela MTX (quando parei de ser um ser bizarro que ficava intoxicada, comecei a ter as reações normais da quimioterapia, haha) ficava muito tempo sem comer, mesmo com fome, o que me fez emagrecer muito. Fora a moleza que os medicamentos causavam, alguns incômodos, tudo que eu considero secundário, mas que você não esquece mesmo durante o momento. Ainda bem que tudo passou, mesmo com o susto do pulmão… Mas isso é história para outro dia!

O que interessa nisso tudo, é que 17 de março para mim vale mais do que a data de novembro. Mentira, não vale não. Eu comemoro as duas, mesmo porque as duas são 17, o que já acho engraçado. Sei que são datas que nunca vou esquecer, mas nem quero – são dias que sei que tenho tudo para comemorar!

Não sei se vocês gostam muito desse tipo de post, mas me veio tanto uma vontade de compartilhar com vocês, que resolvi escrever 🙂

Beijos! =)

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5 Comentários
  1. jessica Almeida • 17/03/16 • 18h51

    Pessoais ou nem tanto, é uma delícia ler seus textos, Giu!
    E comemore sim, pq é sempre válido! 🙂

    • Giu Menezes • 17/03/16 • 20h42

      Oba! Obrigada, Jé!
      Muito gostoso saber que tem alguém que gosta de ler meus textos!
      Beijos! 🙂

  2. Dayane • 17/03/16 • 22h42

    Adoro seus textos! São sempre uma lição de vida!

  3. […] Por fim, como esquecer que esse foi o aniversário de 7 anos fora de tratamento? Comemoro todos os anos, de […]