Dia-a-Dia, Vamos Falar Sobre
27 nov 2015 • Por Giu Menezes

Ih, cortei! =) Um pouquinho sobre as fases do meu cabelo

Desde que me entendo por gente, meu cabelo sempre teve 3 características marcantes: liso, comprido e loiro. Tudo natural. E eu sempre gostei dele assim – não me dava trabalho, no inverno era só secar com o secador, sem precisar fazer escova, chapinha, luzes, nadica de nada. Sou preguiçosa para cuidar dele, porque tenho muito cabelo. Muito. Mesmo. Então dá para imaginar que quando eu descobri que tinha câncer e ia fazer quimioterapia eu meio que sim, me desesperei com a ideia e perguntei já na primeira consulta: “Meu cabelo vai cair?”.

giu_2006

Giu pré tratamento: em 2006 e 2008

Vejam bem, quando conto hoje – e mesmo na época – eu entendo que a queda de cabelo é uma breve consequência de um tratamento que podia salvar minha vida e que parece muito supérfluo a ideia de ficar sem cabelo, mas vão por mim, não é. Vocês não imaginam o que é de fato ver seu cabelo cair e ficar sem nada na cabeça até acontecer. Aí vocês vão me dizer: “Mas isso é porque você era uma menina, uma mulher, então sente mais falta.” Não é bem assim, vi muitas crianças e muitos meninos com essa mesma dificuldade de aceitar também. Todo mundo tem um pouco de vaidade e uma coisa é você decidir raspar a cabeça pelo motivo que seja. Outra é você não ter a opção e ter que aprender a lidar com isso no meio de um turbilhão de sentimentos e sensações.

Acho que por eu ter 19 anos na época era mais fácil de entender o contexto geral do que me apegar a algumas coisas, mas chorei quando, no dia que eu ia para a faculdade (e ainda não tinha contado nada para ninguém de lá), fui pentear o cabelo e começou a sair tufos na escova. Dá um certo desespero. Mas decidi que era hora de cortar, ir aos poucos, então cortei bem curtinho. Não foi suficiente porque cortar não faz parar de cair e a cada manhã meu travesseiro acordava cada vez mais cheio de cabelo. Ok, chegava a hora de raspar.

giu_tratamento

Em tratamento: só de chapéu e com a peruca (2008)

É bem estranho você se ver totalmente sem cabelo – por sorte minha cabeça era bonitinha haha. Mas eu meio que me acostumei. Ganhei uma peruca da minha prima, muito parecida com meu cabelo original, mas acabava usando mais quando ia sair, não pelos meus amigos, que já tinham me visto, mas pelos desconhecidos que cruzava na rua porque essa era uma das piores partes do câncer: a evidência física da doença parece que te separa das outras pessoas e isso me irritava muito. As pessoas te olham já com dó, como se você estivesse morrendo, sabe? Eu só era uma pessoa que estava doente e em tratamento, o que poderia acontecer em decorrência disso era outra história. Enfim, quando estava em casa ou no hospital eu usava um chapeuzinho ou ficava sem nada mesmo, porque gente, nunca imaginei que essas coisas esquentassem tanto. Acabei acostumando, e mesmo porque a gente fala muito da queda do cabelo, mas você meio que perde todos os pelos do corpo em tempos diferentes e teve uma época que minha sobrancelha estava tão falha que parecia que eu não tinha expressão. Era muito estranho.

giu_fases

Cabelo crescendo! 2009 logo após o tratamento, 2010 com comprimento médio e 2015 já comprido

Tudo isso para contar que meu cabelo cresceu depois do tratamento. No começo mais escuro, um pouco enrolado pela falta de peso, mas cresceu. E foram várias fases vendo ele crescer, tipo cabelo de bebê, sabem? Depois de um tempo até deixei de usar a peruca para sair, mesmo porque, com o cabelo apontando não combinava em nada! No começo fiz luzes para voltar um pouco ao que eu estava acostumada, mas ele começou a clarear também e já faz mais de um ano desde que não retoco. Ele cresceu bastante também, o que eu sempre tive e gostei. Mas já faz um tempo que eu queria cortar para doar – existem lugares que fazem perucas a partir do cabelo natural de pessoas que doam mesmo – mas acabava perdendo a coragem por não querer deixar curto e não aguentar deixar crescer porque ficava sem corte. Afinal, demorou tanto para crescer né, por que cortar?

Bom, essa semana acordei focada em cortar de vez e fui ao salão. Mandei “Pode cortar, mas separa para doar”. E tcharaaaan, assim fiquei! 🙂 Quem me pergunta como eu finalmente criei essa coragem, eu só respondo “Cabelo cresce!”. E cresce mesmo!

giu_2015

Corte novo e o cabelo para doar!

O que vocês acharam?

Beijos =)

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8 Comentários
  1. Dayane • 27/11/15 • 20h12

    Sobre o novo corte uma coisa a dizer: linda como sempre!
    Parabéns pelo blog e pelo exemplo de vida sempre com esse sorriso no rosto! Admiro você e sua mamis! Vocês são exemplo!

  2. KATIA MARQUES • 01/12/15 • 12h44

    Parabéns pela sua atitude de pensar no proximo !!!
    Vai fazer pessoas felizes e isso e importante.

    • Giu Menezes • 01/12/15 • 15h53

      Obrigada, Ká!!
      De pouquinho em pouquinho a gente ajuda tanto né? Se puder fazer pessoas mais felizes com atitudes como essa, com certeza farei sempre!
      Beijos =)

  3. Yasmin Parlandin • 20/12/15 • 00h30

    Que emoçãaaaao Giu! Foi por histórias assim como a sua que numa bela madrugada eu taquei a tesoura na parte alisada do meu cabelo. Eu pensei: gente, tá bom, cabelo é importante e eu sei disso. Mas eu estou tão saudável e vai crescer! Tem gente que precisa ser obrigado a passar por isso e coisa pior, eu pelo menos tenho escolha. E nossa, foi a melhor coisa que fiz na vida. E você é uma vencedora! PARABÉNS! Por ter vencido a doença, por ser uma mulher tão linda e por ter cabelos mais lindos ainda. Obrigada por ter criado seu blog e ter me dado a chance de visitá-lo, e viva a internet por nos dar a possibilidade de conhecer pessoas e histórias tão legais como a sua!

    Beijos,

    http://www.eudisseparlandin.com

    • Giu Menezes • 20/12/15 • 11h33

      Yasmin, obrigada!!! 🙂
      Eu entendo perfeitamente quando a gente pensa duas vezes em se desfazer do cabelão, mas depois que a gente faz a primeira vez, parece que fica mais fácil! A intetnet é algo realmente maravilhoso que nos permite conhecer pessoas e situações completamente diferentes, não é? Eu não fazia ideia do projeto que vocês tem aí no Pará, para as mulheres escapeladas. Não é algo que a gente veja em SP, mas fiquei admirada com a sua atitude! E quanto mais pessoas a gente conseguir tocar, mais alegria a gente traz, não é mesmo?
      Beijos!! =)

  4. […] ele, mas coloquei ele aqui mesmo assim porque já faz anos que uso. Além de ter o cabelo seco, quando fiz as luzes, ele ressecou mais ainda a ponto de eu não conseguir pentear depois do banho se não passasse esse […]

  5. […] então acho que vou fazer por assuntos. Já contei aqui que já faz 7 anos desde que operei e aqui sobre toda a fase de ficar sem cabelo. Hoje pensei em contar um pouco sobre como é a vida com a […]