Dia-a-Dia
21 dez 2015 • Por Giu Menezes

Giu de casa: torta de chocolate com massa de bolacha!

Sexta passada eu fiz uma torta de chocolate com massa de bolacha (biscoito, bolacha, a eterna briga haha) e postei no Instagram (já me segue por lá?). Não sou cozinheira e, na verdade, me aventuro bem pouco nesse ambiente, mas achei a receita relativamente fácil e fui arriscar. Peguei na internet mesmo, mas algumas amigas pediram para eu postar aqui, então além da receita vou contar dos improvisos que acabei fazendo também (sem derrubar nada, eeeeee!)

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A receita original é da Danielle Noce, que vi no vídeo dela aqui. Porém, como eu não achei Oreo quando fui ao mercado, peguei a boa e velha Negresco, hahaha. Mas eu acredito que a massa possa ser feita com qualquer bolacha recheada (ainda não testei sem ser recheada, quando fizer, conto pra vocês!).

Vamos aos ingredientes e o que eu de fato usei:

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Massa:
450g de bolacha recheada (usei 3 pacotes de Negresco, o que deu 420g)
150g de manteiga sem sal derretida

Recheio:
750g de chocolate meio amargo (eu usei 700g porque era mais fácil na divisão dos quadradinhos da barra. Sim, eu faço essas coisas, hahaha)
550g de creme de leite (2 latas dá a quantidade ideal! Não sei o de caixinha, porque não lembro a quantidade que vem)
75g de manteiga sem sal gelada picada em cubos (peguei o restante da manteiga utilizada acima, ou seja, 50g porque minha manteiga era de 200g. Realidades.)

Modo de fazer:

Para a massa você deve bater toda a bolacha no processador. Eu tentei no liquidificador, mas eu acho que por conta do recheio ficou meio difícil, ela acumulava nas lâminas muito rápido, então ficaram alguns pedaços não batidos. Deu certo mesmo assim.

Depois de bater as bolachas, você acrescenta a manteiga derretida e bate mais um pouco até a massa ficar homogênea. Aí é só colocar na forma (eu usei uma de 24cm de diâmetro e 7cm de altura, de fundo falso) e ir espalhando a massa no fundo e nas laterais até ficar uniforme – ou quase. hahaha. Levar a massa à geladeira por 2h.

Para a ganache de chocolate (e aqui expresso minha felicidade de ter conseguido fazer ganache! Uhuuul! hahaha) você deve levar o chocolate para derreter em banho maria. Meu chocolate estava em temperatura ambiente e eu ainda cortei em pedacinhos para ir mais rápido. Ah, comecei a fazer a ganache faltando uns 40min para dar o tempo da massa na geladeira.

Importante: banho maria é no vapor da água e não a travessa com o chocolate dentro da panela com água, porque pode queimar mesmo assim. Eu não tinha aqui em casa um bowl redondo que encaixasse certinho na panela, então peguei um quadrado mesmo e equilibrei na panela. Como assim ficava mais difícil de mexer o chocolate sem correr o risco de derrubar tudo, eu tirava e colocava na pia para mexer – improvisos, mas mais seguro.

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Meu improviso. Se fizer assim, sempre retire o recipiente da panela para mexer.

Enquanto o chocolate derrete, coloque o creme de leite para amornar, sem ferver. Quando ele estiver quentinho, jogue no recipiente de chocolate e deixe no banho maria até acabar de derreter, mexendo de vez em quando para misturar. Após tudo derretido, tire do fogo e acrescente a manteiga gelada. Vá mexendo para que ela derreta no chocolate. Quando estiver tudo derretido e incorporado, jogue essa maravilha dos deuses na sua massa e leve à geladeira por mais 4h.

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Para finalizar a torta, fica da preferência de cada um. A Dani, no vídeo dela, fez chantili e decorou com frutas vermelhas. Eu polvilhei chocolate em pó para dar um acabamento, mas também não precisa fazer nada se não quiser, porque ela fica boa mesmo assim!

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E foi isso! Pessoal aqui de casa gostou bastante! Na foto acima a ganache ainda não tava tão consistente quanto tem que ficar, mas como queríamos provar logo, tiramos faltando 1h do tempo ideal. Ficou boa, não desmontou, mas pro meu gosto, quanto mais gelada, melhor haha.

Quando fizerem, me contem como ficou a de vocês? Postem no Instagram com a hashtag #ascoisasaleatoriasdavida pra eu ver!! 🙂 Dá até para pensar em fazer pro Natal einh!

Ah, se vocês gostarem de posts assim, sempre que eu me arriscar na cozinha, posso mostrar para vocês!

Beijos e boa semana! =)

Dia-a-Dia, Vamos Falar Sobre
18 dez 2015 • Por Giu Menezes

O osteossarcoma, a endoprótese e a Giu =)

Muita gente que me conhece e sabe que eu passei por todo o tratamento contra o câncer me pergunta como foram as sessões de quimioterapia, a cirurgia, a adaptação à prótese e etc. Eu não tenho problema nenhum em conversar sobre isso, mas sinto que algumas pessoas ainda tem um certo receio e vergonha de me perguntar, achando que pode me chatear, sabe?

Pensando nisso, desde que comecei o blog já tinha considerado contar algumas coisas, porque acho que além de curiosidade de saber como é, também é informação para quem não faz a mínima ideia. Eu só não sabia como fazer isso, porque achei que contar o dia-a-dia do tratamento poderia ser meio cansativo, então acho que vou fazer por assuntos. Já contei aqui que já faz 7 anos desde que operei e aqui sobre toda a fase de ficar sem cabelo. Hoje pensei em contar um pouco sobre como é a vida com a endoprótese!

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Não tenho fotos com as muletas, então essa representa a época 🙂

Antes de mais nada, para deixar bem claro, eu tive um osteossarcoma de fêmur. Ou seja, um tumor ósseo que nasceu no meu fêmur (é o osso da parte da coxa) e foi crescendo em sentido ao joelho que acabou pegando um pouco das partes moles (parte de fora do osso, na altura do meu joelho direito). Uma coisa importante do meu diagnóstico foi que o tumor não era metastático, ou seja, não tinha em mais nenhum lugar do meu corpo, o que facilita MUITO na hora do tratamento, porque ele era considerado em fase inicial ainda. Tive que fazer sessões de quimioterapia e uma cirurgia para remoção da parte comprometida. Como ele tinha pego o final do fêmur, não existia a possibilidade de fazer um enxerto, que nada mais é do que retirar uma parte de osso de outro local e colocar onde precisava. Então, minha opção era a endoprótese. Entendam, como estava em fase inicial e eu respondi bem às primeiras quimios, não precisei ter a perna amputada, só foi retirada uma parte do fêmur e colocada uma prótese no lugar. O legal dessa minha prótese é que ela foi feita sob medida e é de fêmur e joelho, ou seja, ela que faz o movimento de dobrar do joelho, já que todos os meus ligamentos tiveram que ser retirados e só ficou a minha patela (ou rótula) no lugar, então é ela que me permite andar, sentar, viver normalmente!

Foi muita sessão de fisioterapia depois da cirurgia, porque imaginem, pra chegar no osso tem que mexer em tudo que vem antes né, pele, músculos, tem que tirar do lugar mesmo, então quando eu acordei da cirurgia (não queiram me ver voltando da anestesia, eu não paro de falar, hahahahaha) eu estava com a perna totalmente esticada e só poderia começar a mexer na fisio mesmo. Aí começa o processo de aprender a dobrar de novo (cada grau conquistado era uma vitória misturada a lágrimas de dor. Acontece.), a andar, primeiro com duas muletas, depois com uma, até o dia que consegui me sustentar nela sem as muletas, por mais que ainda mancasse um pouco. Isso aconteceu no Natal de 2008, quando a fisioterapeuta lá do GRAACC (foi onde eu fiz todo meu tratamento, mais pra frente conto para vocês!) disse que eu deveria passar as festas sem muletas 🙂

Quem já passou por fisioterapia por qualquer motivo sabe, é um processo que demora, mas que no final vale muito a pena. E eu fazia direitinho, mesmo doendo, e quando tava em casa minha mãe me ajudava nos exercícios que a fisioterapeuta passava para agilizar o processo. Aprender a dobrar foi de fato o mais dolorido porque o corpo da gente cria fibras musculares, então eu meio que precisava quebrar essas fibras para continuar dobrando, para depois elas crescerem de novo (Giu durante a fisioterapia: “Lili, eu quero muito te apertar pra descontar minha dor, mas se eu fizer isso eu vou te machucar porque tá doendo muito” louca, eu sei hahaha). Deu certo! Hoje eu dobro tudo o que a prótese permite (cerca de 110° eu acho), o que me leva ao próximo ponto.

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Pilates = amor <3 haha

Ter uma endoprótese hoje é ter uma vida quase normal. Por que quase? Porque tem limitações sim, normal. Primeiro, é um corpo estranho, e por mais que eu não tenha tido rejeição (pode acontecer) é uma área sempre mais quente que o outro joelho, como se meu corpo estivesse sempre pensando se combate isso ou não, sabem? A prótese pode quebrar, então tem que tomar cuidado, principalmente com quedas; eu sinto dor quando esfria e não posso fazer nada de impacto e nem que rotacione o joelho no próprio eixo. Além disso, a prótese tem um prazo de validade, então um dia eu vou ter que trocar, mas a estimativa é grande, então cuidando direitinho, pode demorar uns 20 anos depois da cirurgia. Ah sim, eu também fiquei com 2cm de diferença entre uma perna e outra (por isso eu sempre digo que tenho 1,65m de altura. HA! :D) e no começo eu usava uma palmilha no tênis para andar, mas em sapatilha ou rasteirinha não dá né, então fui aprendendo a andar sem ela e hoje quase não me faz falta!

Falando de modo prático sobre o que não posso fazer, como já disse, nada de impacto, ou seja, correr está fora de cogitação (ainda bem, porque vocês nunca me viram correr e jamais terão essa visão horrível na frente hahaha), aulas como jump, step também. Bicicleta é algo engraçado, eu perguntei pra minha fisio lá do GRAACC “Lili, eu posso andar de bicicleta?” ao que ela respondeu “Ergométrica, né?” e eu fiquei tipo, oi? A bicicleta em si não é o problema, o risco de cair, sim. Risquei da lista.

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Só queria dizer que não é fácil. haha

Em compensação eu posso nadar, posso caminhar com cuidado, posso fazer pilates, cama elástica. Posso sim andar de salto, por exemplo, mas tudo sempre respeitando meus limites de conforto e dor. Preciso sim fortalecer sempre a minha musculatura e o pilates me ajuda bastante, já que nunca gostei de academia. E notei que preciso mesmo cuidar disso quando lesionei meu músculo da coxa ano passado porque achei que aguentava uma caminhada mais pesada e não deu conta – a ponto de não conseguir dar um passo sem quase cair – uma semana de repouso mais retorno às muletas até a lesão passar. Aprendi com isso, tenho que ir com calma.

E por que to falando tudo isso? Essa semana passei no cardiologista e ele me disse que, apesar de eu fazer pilates 2 vezes por semana e aquecendo 12min em cada aula na cama elástica, ainda assim eu poderia me considerar sedentária porque eu não fazia a quantidade ideal de exercício aeróbico por semana. Então, ele me aconselhou a caminhar, pelo menos, de 30 a 40min em dois ou três dias da semana. É uma das coisas que posso fazer e que vai ajudar no meu condicionamento físico e no fortalecimento da minha perna.

O que eu fico muito feliz em ouvir é quem não conhece minha história diz que se eu não contasse jamais imaginaria que eu tenho uma endoprótese, porque ando certinho! Claro, quando to muito cansada, eu acabo mancando, mas né, há um limite pra tudo!

Enfim, quis contar um pouquinho mais para vocês porque hoje voltei a caminhar! Sim, em plena sexta, mas se eu deixar pra outra semana vou adiando e adiando, então bora engatar isso já! Se vocês quiserem saber mais um pouco sobre essa fase, sobre o tratamento, eu vou contando aos poucos, mas não tenham vergonha de te perguntar! Eu acho legal essa curiosidade porque eu mesma sou assim e acho interessante compartilharmos informações e experiências, né? 🙂

Bom fim de semana, gente!

Beijos =)