Livros
31 out 2015 • Por Giu Menezes

Mikaela – O Desencontro, de Marcella Brafman

Amo ler livros desde que me entendo por gente. Não lembro quando comecei e nem qual foi o primeiro livro que li, mas é uma paixão que perdura até hoje. Acho fascinante entrar em um mundo imaginado, viver as histórias junto com as personagens e ficar torcendo por um final surpreendente. Quando o livro que estou lendo faz parte de uma série então, não importa se é o primeiro ou o último, não sossego até terminar a história toda!

Por isso quero compartilhar dos muitos livros que já li (e ainda vou ler) por aqui. O primeiro deles é um que li recentemente, escrito por uma jornalista/blogueira mineira, chamado “Mikaela – O Desencontro”.

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Marcella Brafman escreve, em seu blog próprio, chamado Sem Clichê, textos sobre cotidiano, relacionamentos, encontros e desencontros da vida. Acompanho o blog desde o começo e em determinado momento, Marcella começou a contar a história de Mikaela e Felipe: um casal não muito casal que mais se perdia do que se encontrava. A história foi dividida em posts, até o dia em que Marcella decidiu terminar a história em um livro, não mais no seu blog. Motivo mais que suficiente para eu aguardar ansiosamente o lançamento (curiosidade, oi?)!

O livro começa de forma bem semelhante ao início da história no blog e se desenrola a partir daí. Mikaela é uma menina como eu e você, em busca do emprego dos sonhos, de se encontrar em um lugar totalmente novo e de resolver a situação na parte amorosa da sua vida – com o cara que ela acha que pode ser “ele”!

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O título traz “o desencontro” porque é isso mesmo que acontece. No meio das situações corriqueiras do dia-a-dia acontece de as pessoas que você queria não encontram o timing certo para estarem na sua vida e às vezes quem está fora do momento é você.

A verdade é que todos nós temos um pouco de Mikaela em alguma fase e é isso que é interessante no livro. A simplicidade que é passada ao relatar a complexidade da própria vida.

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Uma das minhas partes preferidas:

“A despedida é sempre mais triste quando não temos certeza se algum dia vamos nos ver de novo.”

Faz um certo sentido, não?

Devorei o livro em três dias e não vejo a hora da continuação, porque sim, você vira a página naquele momento crucial e… acaba o livro!

Para quem quiser despertar a curiosidade antes de comprar o livro, clique aqui para o primeiro post da história da Mikaela. Mas realmente acredito que vocês ficarão tão curiosos quanto eu!

Depois me contem o que acharam também, e vamos torcer pra Marcella escrever o segundo livro o quanto antes!

Beijos :*

 

Vamos Falar Sobre
29 out 2015 • Por Giu Menezes

Primeiro assédio, qualquer assédio

Eu estava viajando semana passada quando o programa MasterChef Junior da Band estreou e começaram os comentários sobre a participante Valentina, de 12 anos, que já sofreu assédio partindo de comentários abusivos na internet. Ainda que já faça uma semana desse episódio, acredito que o assunto, que não é novo no contexto geral, seja altamente relevante para falarmos sempre e tentarmos, se não colocar um fim definitivo, diminuir esse tipo de assédio. Seja com mulheres já adultas, seja, principalmente, com crianças.

Créditos: Gabriela Shigihara / Think Olga

Créditos: Gabriela Shigihara / Think Olga

Mulheres sofrem assédio sexual todos os dias, seja ele físico ou não. Uma cantada na rua, uma passada de mão no metrô – nada disso é agradável, nada disso nos faz sentir com autoestima elevada e todas elas são falta de respeito. Quando falamos de crianças então, porque sim, 12 anos ainda é uma criança, é pior ainda. É tirar a inocência de quem ainda tem anos para descobrir sua sexualidade, de quem ainda tem anos para brincar livremente e não se preocupar com esses assuntos, de quem ainda tem anos para ver o corpo desenvolver e entender o que acontece consigo mesma.

A jornalista Juliana de Faria, criadora do Think Olga, foi quem deu início à campanha #PrimeiroAssedio e várias mulheres – e alguns homens também – contaram sobre o primeiro assédio sexual que sofreram com idades de 05, 07, 12 anos. Sem brincadeira, acho assustador o número de pessoas que sofreram assédio quando crianças e passaram todo esse tempo caladas porque sempre nos fazem pensar que a culpa é do assediado, não do assediante. Quão errado é isso?

Sinceramente, eu não me lembro do meu #PrimeiroAssedio – não sei se deletei da mente por achar algo bizarro ou o que. Mas lembro de por volta dos meus 15 anos (“com essa idade não é mais criança, Giu”. Não interessa, assédio é assédio e ponto final) de sair para uma baladinha com meus amigos e um cara que nunca vi na vida aparecer na minha frente e perguntar meu nome. Além de eu não responder e ele entender errado um amigo me chamando (achou que fosse Mariana), perguntou se podia me chamar de Mari. Não, cara, não pode. Não te conheço, não te dei intimidade para me chamar por apelido nenhum. Saí andando, mas não contente, o cara ainda me puxou pelo braço e eu tive que me desvencilhar com tudo. É simples, se eu não dou intimidade para um cara me chamar por um apelido qualquer, o que o leva a crer que ele pode me pegar no braço, passar a mão na minha bunda ou pior?

Antes de qualquer questão feminista, a questão aqui é respeito. E a falta dele tem sido absurdamente praticada por essas pessoas que acham que podem atacar uma criança, porque é criança; que podem atacar uma mulher, porque é mulher; que praticam atos de assédio pela internet, que procuram sites de pedofilia, que se atiram pra cima das pessoas na rua, porque afinal “se ela tá de saia curta é pra provocar mesmo”.

Apenas parem, por favor.